Ir e vir

Com guia? Sem guia?

30 de julho de 2015

Existe uma questão filosófica envolvendo guias de viagem: eles ajudam ou atrapalham? Estar sem um guia acompanhando determinado passeio te dá a liberdade necessária pra descobrir algo novo por conta própria? É melhor saber da boca de um local as informações necessárias pra gente absorver tudo aquilo que um passeio ou visita oferecem? Dá pra trocar um guia pela Wikipedia, ou mesmo pelo Google?

Vamos por partes.

Polêmica: quem vai na frente, se ninguém sabe o caminho, nem o que fazer?

Polêmica: quem vai na frente, se ninguém sabe o caminho, nem o que fazer?

Primeira coisa, e sempre tratando de qualquer assunto sob o nosso prisma: de início sempre procuramos fazer nosso roteiro por conta própria, ignorando inclusive passeios guiados – justamente por termos essa impressão destacada nas questões do início desse texto. Achávamos que um passeio guiado seria: 1) uma bagunça organizada, pois normalmente ele é feito em grupo, e 2) não teríamos a oportunidade de descobrir certas histórias e detalhes por conta própria. Assumimos o preconceito, e assim mesmo nossos passeios foram divertidos.

Foi aí que, por um acaso, experimentamos o outro lado da coisa.

Eles sabem de tudo, e ainda dividem com a gente? Claro que sim!

Eles sabem de tudo, e ainda dividem com a gente? Claro que sim!

Numa viagem em que inevitavelmente tínhamos direito a alguns passeios: todos com um guia a tiracolo. Num primeiro momento é uma situação meio bizarra ter alguém te pajeando o tempo todo (ainda mais por ser um passeio exclusivo, em que fazíamos somente os três, sem grupo). Funcionava exatamente daquela maneira, que mais parecia uma corrida de autorama, onde a gente nunca pisaria fora da área delimitada.

Quem ganha e quem perde nessas duas situações? Voltamos ao nosso prisma, e nossa opinião é: casar as duas situações é o cenário ideal.

É uma eterna satisfação descobrir certas coisas por méritos próprios: ir conferir aquele cantinho que ninguém vai, confirmar expectativas e se aprofundar em pesquisas, notar certos detalhes que parecem novidade, tudo isso nos causa um bem-estar enorme. Não existe coisa mais gostosa do que se apropriar de um destino, e dali em diante contar histórias e passar adiante dicas que parecem coisa nossa, e só nossa. E em qualquer lugar, a qualquer época, sempre existe uma situação ou descoberta só nossa, que nos acompanhará dali em diante por todas as vezes que contarmos sobre determinada viagem.

Se existe um lugar que você quer conhecer, simplesmente conheça.

Se existe um lugar que você quer conhecer, simplesmente conheça.

Porém, nada impede um tourzinho guiado: seja um city tour, um passeio histórico, ou mesmo uma visita guiada. Apesar de parecer maçante (e às vezes é bem isso mesmo), é uma certeza que com um bom guia e um bom roteiro esse tipo de programa amplia nossos horizontes instantaneamente. E não são poucos os casos que nesses passeios o próprio guia conta detalhes ou opiniões pessoais que fazem barulho suficiente pra gente se intrigar, e mergulhar ainda mais fundo naquele destino.

Existem diversos tipos de tour disponíveis por aí: de grupos de viagem a passeios exclusivos, de guias credenciados a guias locais (que levam o viajante por passeios fora dos roteiros padrão, e cujo valor cobrado vai de acordo com o que você queira pagar – se quiser). Existem ainda grupos voluntários, que fazem passeios temáticos (de terror, políticos, históricos, baseados em livros ou filmes, para crianças, sazonais, etc.). Tivemos ótimas experiências com todos esses tipos, e cada um atende a determinado tipo de perfil.

Uma tarde de diversão e aprendizado, com direito a treinar um novo idioma, e com alguém que sabe onde te levar, e ainda tira fotos por/pra você.

Uma tarde de diversão e aprendizado, com direito a treinar um novo idioma, e com alguém que sabe onde te levar, e ainda tira fotos por/pra você.

Resumindo: caso seja sua primeira viagem, aprofunde-se na pesquisa sobre seus destinos. Pense que um novo lugar inevitavelmente desperta uma curiosidade de 360º. O desejo de qualquer pessoa que viaja é absorver o máximo no menor período de tempo. Desperte sua curiosidade, e sinta-se preparado para ser seu próprio guia na maioria do tempo, mas não dispense ajuda em determinados momentos – até mesmo pra relaxar. Mais do que qualquer outra coisa: livre-se de preconceitos. Não existe melhor ou pior: existem situações, e elas costumam ser diferentes uma da outra. Viajar é aprender e conhecer, o tempo todo. Faça isso da(s) maneira(s) que você mais gosta.

Porque às vezes tudo o que a gente quer é conhecer o basicão, sentado num banco de ônibus ou caminhando com mais meia dúzia de pessoas, e com alguém ao microfone contando uma história bacana.

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