Causos, Tailândia

Tuk-tuk nervoso

8 de dezembro de 2016

Andar de tuk-tuk é quase uma obrigação moral quando você desembarca na Tailândia. Assim como visitar o Cristo no Rio, a Torre Eiffel em Paris ou o Parlamento de Budapeste, não dá pra deixar de lado essa investida turística. Obviamente também fizemos nossa parte, mas preciso contar alguns detalhes sobre isso…

Como já contado aqui, nosso primeiro passeio por Bangkok teve um contexto diferente do comum. Nosso primeiro pensamento foi pegar um táxi para a Embaixada, mas fomos abordados por um “gerente de tuk-tuks” pouco depois de sair do hotel. Essa é a primeira informação nova, da qual não dispúnhamos: em nosso roteiro pelos três países do Sudeste Asiático, tuk-tuks e táxis SE OFERECEM pra te levar a todo momento, em qualquer lugar. Você não precisa se preocupar muito em procurá-los… eles acabam chegando até você por conta própria.

Nosso possante, e o chofer.

E dá pra confiar?

Então… é um ponto a ser analisado. Sempre procuramos nos informar sobre valores com os funcionários dos hotéis por onde passamos. Mas nesse caso específico – da história que vou contar – não fizemos isso. E no final das contas, nos pareceu um preço bem justo o que nos foi oferecido (esse é outro ponto). Precisávamos ir à Embaixada. O cara nos ofereceu um tour por 4 templos. Nossas condições foram: ok, a gente faz um tour, desde que o tuk-tuk nos leve também (e antes) onde de fato precisávamos ir. Estando de acordo, o tal “gerente” nos cobraria 600 Baht. Ameaçamos chorar o valor, e o cara já nos deu um papelzinho e uma caneta. “Escreva aí o preço que você quer pagar“, ele disse. Sim, isso é um expediente DOS MAIS COMUNS por lá. Fechamos por 400 (que dá pouco menos de R$ 40 em câmbio atual). Por uma manhã inteira e metade da tarde de transporte dedicado, achamos um preço ótimo.

Dica:

Tivemos posteriormente outra experiência, onde orçamos o trajeto de tuk-tuk de alguns pontos até nosso hotel. Valores acima de 100 Baht nos desanimaram a fazê-lo (o mesmo trajeto de táxi daria coisa de 35 a 40 Baht, e o equivalente caminhando daria coisa de 20 minutos). Então, mesmo sendo bastante barato (100 Baht não dá nem 10 Reais) não banque o tonto caso seu orçamento não seja generoso. Nessas brincadeirinhas que a grana vai embora.

Com valores combinados, um dos rapazes nos levou até a Embaixada. Mais um ponto a ser considerado: nosso motorista falava quase nada de inglês – e entenda-se por quase nada QUASE NADA MESMO. Então combine direitinho o que você quiser fazer antes com quem pode orientar essa galera.

As primeiras movimentações do luto pelo Rei já estavam nas ruas. Vimos de perto, literalmente.

E de perto também acompanhamos o trânsito caótico de Bangkok, com suas trocentas motos.

É sim um ótimo jeito de conhecer a cidade, com seus sons, cheiros e cores. Andar naquele troço é um barato, seja pelo espaço reduzido, seja pela situação de exposição quase que total. Além disso, existe uma vantagem que ficou clara quase que imediatamente: com o trânsito caótico de Bangkok, o tuk-tuk se vira muito bem em espacinhos minúsculos, e vielas que mais parecem ter saído de algum filme do Snake Plissken.

Comodidade de táxi, habilidades de moto.

O roteiro ao qual o passeio se prestou – além da providencial visita à Embaixada – foi num todo muito bom. A cada parada nos templos, nos era dado o tempo que quiséssemos para conhecer, fotografar e até mesmo descansar, pois o calor castigava. Não espere por maiores explicações sobre cada lugar… como dito anteriormente, é um motorista, e não um guia. Mas claro que existia um algo mais que não sabíamos, e que nos proporcionou aquele que seria o momento mais bizarro da viagem.

Vocês vão me perdoar, mas eu não lembro o nome dos templos… se eu lembrar edito essa legenda mais pra frente.

Wat Benchamabophit foi o primeiro complexo de templos de fato que visitamos. E por complexo, entenda que nele existiam desde desse simpático riozinho…

…passando por áreas gramadas muito bonitas…

…até chegarmos ao Marble Temple. Um gigante absolutamente espetacular.

Pra sentar e contemplar (mentira, tava um calor do inferno e eu precisava tomar água – e ar).

Alguns dos detalhes de Wat Benchamabophit. É pra visitar com calma e agradar aos olhos.

Meias sujas*: uma constante à qual nos acostumaríamos rapidinho (sujas nada, os templos são bem limpinhos).

Logo após o primeiro templo, o rapaz disse que nos levaria a uma “thai factory“. Não sabíamos do que se tratava, aquilo não havia sido comentado na hora da contratação do serviço… mas “ok, vamos para a tal fábrica então! Afinal, estamos viajando… deve ser divertido!” – pensaram os bocós. Alguns minutos depois o dito cujo estaciona em frente a uma loja, e nos pede para entrar. Com uma interrogação latente no meio da fuça, entramos. Fomos prontamente muito bem atendidos por um vendedor – outros tantos estavam sentados próximos à porta, que nos pediu pra sentar. Aí a coisa ficou bizarra de verdade.

Um dos caras trouxe dois catálogos, com ternos e vestidos, e nos entregou. Ficamos com cara de idiota, sem saber o que fazer com aquilo. Começamos a folhear automaticamente, enquanto o cara explicava que “eles faziam qualquer peça, era só pedir“. Então bateu um desespero, e eu desandei a arriscar meu inglês tentando sair daquele beco em que estávamos metidos…

– Não é o nosso estilo – eu comecei.
– Nosso material é de qualidade, você pode ver…
– Eu tô vendo, mas não é nosso estilo.
– Que tal gravatas?
– Eu trabalho em casa. De camiseta e cueca.

E a Dé num silêncio desesperador.

A gente tem uma parte do guarda-roupas reservada para “roupas de casamento”, que numa tradução simples significa: temos somente UMA ROUPA para tais ocasiões. NUNCA que a gente vai atravessar o mundo pra comprar terno e vestido, macacada! Depois de mil pedidos de desculpa, saímos da loja com cara de merda. Assim que voltamos ao tuk-tuk, expliquei da forma mais simples possível pro motorista que aquele programa foi uma fria, e que a gente detestou. Seguimos para novas visitas.

Wat Intharawihan – o Big Buddah, também conhecido como Budão.

Pois bem… assim que terminamos de visitar os templos, o cara parou NOVAMENTE num cacete de uma loja de roupas. Eu falei que não ia entrar, e então veio a revelação de que os motoristas são pagos por essas mesmas lojas (no caso dessa especificamente, pagavam a gasolina do fulano) para levar os turistas até lá. Ele pediu para que a gente pelo menos entrasse, ou ele não receberia. E lá fomos nós de novo ouvir a mesma ladainha – mas dessa vez, já preparados pra dar um cambau na primeira oportunidade. Demos, todo mundo ficou feliz, o menino recebeu o dinheiro pra gasolina e concluímos o nosso passeio com mais uma história bizarra no bolso.

Thai Factory o cacete. Malditas lojas de ternos e vestidos.

E foi assim, o nosso primeiro passeio de fato em Bangkok: tuk-tuk, templos e lojas de ternos. Tudo novo, muita coisa bonita, muita coisa zoada. Como toda boa viagem deve ser – e seria, como contaremos mais adiante.

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