Polônia

Tempero polonês

26 de janeiro de 2015

Auschwitz e João Paulo II: são os dois expoentes que destacam mundialmente a Cracóvia. Obviamente a cidade polonesa possui outros pontos e características marcantes, mas são essas duas memórias que comumente ocorrem ao falarmos dela.

Com um pouquinho mais de pesquisa, descobrimos um terceiro. E é dele que falaremos hoje, uma vez que quando por lá, é também um destino comum aos visitantes (mesmo não ficando exatamente na Cracóvia, mas sim em seus arredores): a mina de sal de Wieliczka (Kopalnia soli Wieliczka). Quando a gente fala “mina de sal”, esqueça aquela imagem de calor subterrâneo e absoluta escuridão. O lugar é realmente incrível.

Adquire-se esse passeio de uma forma bem simples: por flyers informativos na recepção dos principais hotéis (os próprios hotéis fazem seu agendamento quando solicitados), ou por oferta no centro histórico de Cracóvia – existem várias equipes que abordam o turista em seu passeio pela cidade. Compramos o nosso pela Seek Krakow (que possibilita inclusive o agendamento pelo próprio site – http://www.seekrakow.com/), aparentemente a maior das companhias de lá. O preço foi um pouco mais alto – soubemos depois, passeando pelo centro – mas o tour foi excelente e não temos queixas. Definida a data, o transfer passa no seu hotel/albergue/ponto, recolhe o grupo e segue até Wieliczka.

O ticket de entrada para a mina - do lado direito, o verso com um adesivo colado (esse adesivo é a autorização para fotos e vídeos, que você só compra durante o passeio, lá dentro mesmo).

O ticket de entrada para a mina – do lado direito, o verso com um adesivo colado (esse adesivo é a autorização para fotos e vídeos, que você só compra durante o passeio, lá dentro mesmo).

Chegando lá, o grupo recebe seu aparelhinho de áudio, para acompanhar tudo o que o guia diz sem gritaria. Mas por ser numa mina, é bom manter pouca distância do sujeito, pois o raio de alcance não é dos maiores. Com o canal correto sintonizado, é hora de descer.

O aparelhinho para acompanhar o áudio do guia.

O aparelhinho para acompanhar o áudio do guia.

As escadas que te levam ao interior da mina são sim um desafio razoável. São 378 degraus para baixo… portanto, prepare bem suas articulações, pois chegando lá embaixo são umas 4 ou 5 horas de caminhada. Aos que têm algum problema de joelho, é possível descer de elevador. O passeio é bem tranquilo – apesar das distâncias razoavelmente grandes, os túneis são bem extensos. O guia que nos acompanhou é possivelmente um dos poloneses mais simpáticos do mundo, e com um inglês excelente, apesar do sotaque.

A descida é longa.

A descida é longa.

Chegando lá embaixo, o tour começa – e eu não vou estragar a surpresa esmiuçando os detalhes. Mas posso dizer que há uma apresentação geral e histórica da mina, o relato de lendas que envolvem o local, alguns fatos sobre os mineiros que lá trabalhavam, um tour infantil (e temático, que lamentamos não ver, pois a molecada entra fantasiada) e mais um bom punhado de histórias. Das coisas bacanas que merecem o registro, há uma curiosidade genial sobre o funcionamento do fluxo de ar nos túneis – as áreas são separadas por enormes corredores, e cercadas por portas gigantes. Uma porta só pode ser aberta quando a outra é fechada, justamente pelo fato do fluxo de ar precisar ser interrompido. Se ele não for, a porta seguinte é empurrada e se torna praticamente impossível de ser aberta.

Caminhando contra o vento.

Caminhando contra o vento.

Outra coisa legal é a idade de cada pedaço das paredes, e a coloração do sal (branco quando novo, e preto quando muito antigo). O interior da mina é adornado por dezenas de estátuas e imagens esculpidas por artistas locais – obviamente, todas em sal. Existem áreas em que ocorrem festas, espetáculos e até concertos: a acústica dentro da mina é excelente, e demonstrada na exibição de um fragmento de peça de Fryderyk Chopin (outro polonês famoso, afinal de contas) em uma das salas. No nosso caso, a música executada foi essa aqui. Bonidimais.

Nosso guia, explicando as diferenças de cor do sal.

Nosso guia, explicando as diferenças nas cores do sal.

Uma das várias esculturas em sal. Coisa mais linda.

Uma das várias esculturas em sal. Coisa mais linda.

Porém, são dois os pontos altos do passeio: um, e mais famoso, é a Capela de Santa Cunegunda (Święta Kinga) – a santa padroeira polonesa. Localizada no coração da mina, a capela é enorme, e TODA feita em sal – das imagens ao altar, passando por bancos, piso trabalhado, e enormes e incríveis lustres, cujas pedras são – advinhem – feitas em sal também. Obviamente que há uma bela estátua de João Paulo II por lá, igualmente detalhada e bonita.

Na capela, o visual é impressionante.

Na capela, o visual é impressionante.

Um detalhe do lustre, e suas pedrinhas.

Um detalhe do lustre, e suas pedrinhas.

A bênção do Papa.

A bênção do Papa.

O outro é um light painting (aquela projeção de luzes que parece desmontar, remontar ou dar vida a determinadas coisas) feita quase no final do passeio, em uma sala gigantesca que mais parece um cinema. Tanto o som como as imagens são coisa quase inacreditável. E (in)felizmente não temos registros desse local – e mesmo procurando no Youtube, não achei nada que mostre essa parte do passeio.

O que me parece um sinal: vá conhecer pessoalmente, porque vale muito a pena! 🙂

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