Brasil

São Paulo, da Cantareira

6 de abril de 2015

“Da primeira vez em que fomos lá, em dezembro de 2012, se não me engano o Shin tinha lido sobre esse passeio em algum blog ou matéria. Só que a gente foi meio no escuro, tanto que nem levamos comida e tal… chegamos no laguinho, ficamos 40 minutos e voltamos. Mas a gente sempre ficou com isso em mente: a gente precisa voltar com um grupo legal pra fazer um piquenique”.

Foi assim que a Van (que já escreveu por aqui, e possivelmente aparecerá outras vezes logo mais) justificou a convocação para o passeio desse final de semana: uma subida até a Pedra Grande, no Parque da Cantareira, e um piquenique mais adiante. Aproveitar a cidade num feriado é sempre um bom programa em São Paulo – se você souber como fazê-lo.

Então fomos em sete: a Van e o Shin, eu e a , a Jan, o Moraes e o Klein. Devidamente reunidos pelo caminho e agrupados no metrô Santana por volta das 10h, seguimos dali até o acesso à trilha, feito a partir do Núcleo Pedra Grande, no Parque Estadual da Cantareira.

Todo mundo é digno até a subida começar.

Todo mundo é digno até a subida começar.

A chegada ao parque é bem tranquila (pode ser feita de carro ou ônibus numa boa). Estacionamos numa rua próxima à entrada, e de lá seguimos. O acesso ao Núcleo Pedra Grande custa R$ 12 (somente em dinheiro – crianças menores de 12 anos, adultos com mais de 60 anos e pessoas com deficiência não pagam, estudantes pagam meia-entrada). Diz-se que o preço para estacionar por perto é de R$ 6, mas paramos de graça duas ruas abaixo, e ninguém nos perturbou. O parque fica aberto das 8 às 17h.

A Van nos contou que o acesso à Pedra Grande podia ser feito de carro, mas com o tempo sua entrada foi proibida, sendo permitido somente o acesso à pé. A trilha tem ao todo 9,6km (ida e volta), contando o desvio para a Pedra Grande e a área de piquenique, e constitui-se basicamente de subidas na ida, e descidas na volta (sendo somente a última perna desse trajeto – justamente o acesso à área de piquenique – feita de forma inversa). Portanto, prepare as pernas assim que entrar no parque.

Faça seu alongamento e seu xixizinho antes da subida :)

Faça seu alongamento e seu xixizinho antes da subida 🙂

A boa notícia é que essa subida, apesar de possuir alguns trechos bastante íngremes, é relativamente tranquila. O primeiro trecho – e o mais extenso – dá acesso à Pedra Grande. Ele é todo asfaltado, e sombreado pela Mata Atlântica, o que ajuda muito na subida, e deixa o passeio mais gostoso. Existem algumas áreas planas intercalando o trajeto, ótimas para retomar o fôlego, e tomar um gole d’água. Sim, leve água (dica óbvia para qualquer caminhada, mas cuja lembrança é sempre pertinente). O tempo estimado de trilha é de duas horas, e é um programão pra quem está começando – são poucos os desníveis, e com calma até os mais despreparados são capazes de vencê-la.

A trilha é bem tranquila, mas subida é subida...

A trilha é bem tranquila, mas subida é subida…

...e ela devagarinho vai te fazendo suar.

…e ela devagarinho vai te fazendo suar.

Subimos “acompanhados” de um grupo de italianos, cruzamos com vários japoneses descendo a trilha, e em nossa chegada não foram poucos os idiomas que permeavam o ambiente. Não resistimos a conhecer os parques alheios quando nos afastamos de casa, e o mesmo acontece por aqui. Mas antes de falar da área de piquenique, um pouco mais sobre a subida.

Alguns trechos são mais puxados, mas vale a pena.

Alguns trechos são mais puxados, mas vale a pena.

Chegando na Pedra Grande, o visual arrebata – e nem poderia ser diferente. São Paulo do avesso é um visual difícil de ser comparado a qualquer outra coisa no mundo. O horizonte de prédios e relevos geométricos da cidade corta a paisagem de lado a lado, apoiado numa cama verde – justamente a divisão entre a cidade e a pedra onde estávamos sentados. É um visual incrível mesmo… e a sensação é de poder “diminuir o volume” daquele monstro ali adiante, pra poder admirá-lo com calma. Um barato. Pouco adiante, no Museu da Pedra Grande, existe outro mirante. E de lá essa visão fica ainda mais ampla.

São Paulo logo ali, gigantesca como sempre.

São Paulo logo ali, gigantesca como sempre.

Mas desse ângulo impressiona ainda mais.

Mas desse ângulo impressiona ainda mais.

E não termina.

E não termina.

Informação bizarra: tem sinal de celular lá em cima.

Seguimos em direção à área de piquenique – nesse momento o asfalto dá lugar à terra. Poucos metros adiante, uma placa sinaliza o final de São Paulo e o início de Mairiporã. Mais alguns minutos de descida, uma paradinha numa casa com acesso proibido – cujo aspecto em si já basta pra afastar caras como eu, e chegamos ao nosso destino.

Seguindo adiante, deixamos São Paulo pra trás.

Seguindo adiante, deixamos São Paulo pra trás.

A subida agora é de terra.

A subida agora é de terra.

Resident Evil.

Resident Evil.

Tivemos sorte: uma mesa ficou vaga assim que chegamos, e pudemos nos instalar numa boa. Não eram poucos os que haviam se arriscado durante a manhã para chegar ali, mas nem de longe o número de pessoas lembrava aquela invasão paulista ao Ibirapuera, Villa-Lobos ou afins durante qualquer final de semana com sol. Famílias inteiras, crianças e velhinhos, casais e grupos de amigos dividiam espaço numa bagunça com cara de sábado. Ainda sobre as mesas: não vimos ninguém se estapeando por uma, e aparentemente aquele jogo de War que acontece em praças de alimentação não é uma prática local.

Chegamos :)

Chegamos 🙂

A gente veio aqui pra comer ou pra conversar?

A gente veio aqui pra comer ou pra conversar?

Ficamos próximos ao lago de água esscura, que é recheado de peixinhos. Uns borboletões enormes nos fizeram companhia durante todo o tempo em que estivemos por lá. Pouco depois do lanche, uma pausa pra deitar na grama, tirar um cochilão, umas várias fotos, ou até mesmo encontrar algum amigo, que por acaso teve a ideia de estar no mesmo lugar, no mesmo dia e no mesmo período.

Uma garrafa de vinho quebrou. Embebedamos as borboletas.

Uma garrafa de vinho quebrou. Embebedamos as borboletas.

Obrigado vinho. Obrigado borboletas.

Obrigado vinho. Obrigado borboletas.

Uma visão geral do parquinho.

Uma visão geral do parquinho.

Uma visão mais de perto :)

Uma visão mais de perto 🙂

Além do playground e das mesas, existem banheiros masculino e feminino – ambos muito bem cuidados, com papel (e rolinho extra) inclusive. Reabastecemos nossas garrafinhas d’água nas torneiras do banheiro, e numa biquinha próxima ao lago, cuja existência só notamos pouco antes de ir embora. Saímos de lá por volta das 16h, e nosso caminho de volta demorou uma hora redondinha, coincidindo com o horário de fechamento do parque.

Sim, água. Na Cantareira.

Sim, água. Na Cantareira.

Sossego e tranquilidade. As piadas e a infâmia não saíram nessa foto.

Sossego e tranquilidade. As piadas e a infâmia não saíram nessa foto.

Um fim de tarde maiúsculo.

Um fim de tarde maiúsculo.

Um passeio como esses às vezes gera certa desconfiança: “Mata Atlântica em São Paulo? Se eu quiser ver árvore passeio no Ibirapuera“, algum ranzinza pode dizer; “Trilha asfaltada? Não tem nada de natural nisso“, é o discurso que pode sair da boca de outro reclamão. Não amiguinhos, é bem diferente disso. Um passeio desses pode funcionar como uma pontadinha de esperança na gente, que anda tão desanimado com tudo por aqui – sim, tomamos água na Cantareira, respiramos um ar mais que puro, tomamos sol, curtimos silêncio, aproveitamos a cidade passeando entre as árvores – um verdadeiro disparate. É bom… esperança sempre é bom. E o passeio, mais que recomendável.

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2 comentários

  • Responder Daniela 6 de abril de 2015 às 15:00

    Muito bacana a dica!! É um passeio que tenho muita vontade de fazer, mas ainda não tinha lido tantos detalhes como no relato de vocês. Agora a vontade aumentou! rsrs

    Do metrô Santana até a entrada do parque dá mais ou menos quanto tempo de carro? Abraços!

    • Responder Marcelo Masili 6 de abril de 2015 às 23:56

      Dani, dá mais ou menos uns 10 minutos. É realmente bem próximo! Vá tranquila e depois conte pra gente o que achou!

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