República Tcheca

O baque de Český Krumlov

5 de Março de 2015

É impossível descrever o que a gente sente ao descer do ônibus, na chegada a Český Krumlov. A rodoviária mais parece um pequeno estacionamento, e de lá segue-se à pé por poucos minutos até a entrada de seu Centro Histórico. O cenário avistado ainda de longe é inacreditável: a torre de um castelo, uma ponte de pedras, uma parede verde que termina em um rio sinuoso, e um vilarejo de casinhas coloniais… telhados vermelhos, paredes bonitas, e os mais diferentes tons de verde. Poderia ser encontrada em qualquer livro de contos de fada – mas é de verdade.

Se a primeira impressão é a que fica, definitivamente eu não estava preparado.

Se a primeira impressão é a que fica, definitivamente eu não estava preparado.

A cidade de fato vai além desses limites – possivelmente com as moradias dos cidadãos, que durante o dia trabalham no Centro Histórico. São várias as hospedarias, os restaurantes e as lojinhas, que vendem produtos de todos os tipos: artesanatos locais, adesivos temáticos, roupas (típicas ou não), brinquedos de madeira, mercearias, etc. Não conhecemos os arredores, justamente por esse motivo. Porém, desbravar a cidade velha é uma delícia, e pode ser feito em um dia e meio – tranquilamente e sem correrias.

O fluxo de turistas é grande, mas tranquilo.

O fluxo de turistas é grande, mas tranquilo.

De perto tudo é ainda mais bonito.

De perto tudo é ainda mais bonito.

Old Český Krumlov está charmosamente “abraçada” num rio em formato de ‘S’. Suas ruelas permitem o trânsito de carros, mas ele é raríssimo – e de certa forma bastante trabalhoso aos que tentarem. Os turistas tomam conta do local, mas seu fluxo passa longe de ser aquela coisa insuportável. Passeia-se com razoável tranquilidade entre suas ladeiras, e nelas encontra-se algumas coisas que desde então alimentam nossa saudade da cidade: existem artistas locais tocando música tradicional em suas pequenas pontes (com sapatos pontudos e instrumentos insólitos); existem algumas lojas/janelas que vendem o Trdelník (que não é tcheco, mas originário da Transilvânia) – uma espécie de pão em espiral coberto de açúcar e canela, cujo aroma e sabor são impossíveis de se traduzir aqui (mas as imagens farão você desejar um assim mesmo); atravessar a cidade de uma ponta a outra não leva mais de 15 minutos, e essas são apenas algumas das peculiaridades e delícias de Český Krumlov.

E dessa linda janelinha...

E dessa linda janelinha…

...sai essa verdadeira delícia quentinha - e no caso, recheada.

…sai essa verdadeira delícia quentinha – e no caso, recheada.

A travessia da cidade pode ser feita inclusive de bote :)

A travessia da cidade pode ser feita inclusive de bote 🙂

O programa obrigatório de Český Krumlov é visitar o castelo. Uma das coisas bacanas: esse programa é de graça. É possível passear por dentro de suas muralhas, conhecer o local que funcionava como uma espécie de feira lá dentro, atravessar um enorme hall central, e de lá subir uma ladeira para conhecer os jardins no alto da cidade. Mais: nesse mesmo complexo, após atravessar o enorme e espetacular labirinto verde, encontra-se um restaurante de comida típica ao final desse jardim, lá em cima, chamado Krčma Markéta* (http://www.krcma-marketa.cz/). Deleite-se com a cerveja artesanal e as carnes preparadas na pedra, além de um apfelstrudel pra comer de joelhos.

As muralhas do castelo, vistas de baixo.

As muralhas do castelo, vistas de baixo.

Já lá em cima, o mercadinho daquela época.

Já lá em cima, o mercadinho daquela época.

E após atravessar o hall central...

E após atravessar o hall central…

...você recebe a cidade de presente.

…você recebe a cidade de presente.

Após a subida, os enormes e lindos jardins lá de cima.

Chegando ao Krčma Markéta, esteja com fome e com sede (você estará). Cerveja artesanal, e comida rústica de verdade.

Por fim, o apfelstrudel. Que deveria vir numa moldura.

Por fim, o apfelstrudel. Que deveria vir numa moldura.

Depois de um almoço bem servido, desça a ladeira (sim, você não estará apto a fazer nenhum esforço depois desse banquete), atravesse o castelo e vire à esquerda para visitar o mais completo Museu de Tortura do Leste Europeu (cuja entrada é paga, mas vale a pena). De um touro de ferro que funcionava como forno para queimar pessoas, a sapatos com pregos e parafusos para esmagar os ossos dos condenados, o local é uma ode à criatividade maldita do ser humano. Um verdadeiro contraste à doçura e delicadeza da cidade, mas que só faz aumentar a sensação de se estar passeando numa história de fantasia – nesse “capítulo”, macabra.

Um lugar que você não gostaria de entrar...

Um lugar que você não gostaria de entrar…

...e acessórios que você não gostaria de vestir.

…e acessórios que você não gostaria de vestir.

A noite da cidade é deliciosa. As lâmpadas amarelas deixam as ruas à meia-luz. Alguns grupos de senhores se reúnem neste ou naquele bar, e cantam alegremente anunciando o final do dia. Os passeios ficam mais vazios, mas não menos tranquilos. Num mirante próximo à igreja dois músicos tocam viola, enquanto as pessoas admiram a lua sentadas nos bancos ou no gramado. A paz reina.

A vida noturna de Český Krumlov :)

A vida noturna de Český Krumlov 🙂

E o movimento das ruas.

E o movimento das ruas.

No mirante, música ao vivo, a lua e toda a tranquilidade do mundo.

No mirante, música ao vivo, a lua e toda a tranquilidade do mundo.

Existem outras atrações e possibilidades que Český Krumlov oferece. Porém, jantar após às 21h30 não é uma delas. A cidade FECHA (literalmente) por volta das 22h – ou seja, almoce e jante cedo, se não quiser passar fome, ou ter que se contentar com um lanchinho comprado nas mercearias. Outra coisa engraçada: não é servido café da manhã em praticamente nenhum restaurante, café ou bar. Se for, é capaz que ele seja assim:

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Český Krumlov é um lugar inesquecível. Daqueles que valem cartões de memória de tantas fotos, mas acima disso, de uma paz condizente com uma época que não vivemos, mas que quase podemos tocar estando lá, rodeados por paisagens tão espetaculares. Destino obrigatório aos que visitam a República Tcheca, e que deixa saudade aos que têm a oportunidade de conhecê-lo.


*Nossos textos não são patrocinados. A gente indica aquilo que a gente gosta/aprova, porque isso também ajuda na viagem alheia. Simples assim.

Um comentário

  • Responder Mel 5 de Março de 2015 às 10:09

    Uma pena que na minha passagem pela República Tcheca eu não tenha passado por este local. Parece ser incrível. E sobre o Trdelník, só digo uma coisa: FODIDO.

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