Argentina

Martillo: a ilha dos pinguins

17 de março de 2016

Uma das atrações mais populares do “fim do mundo” é sem dúvida a ilha dos pinguins. Fim do mundo, afinal Ushuaia é a cidade mais austral do planeta, e se o mundo está acabando, nada melhor do que estar em companhia de um dos bichinhos mais simpáticos dessa vida.

Compramos nosso passeio no quiosque da Piratour logo pela manhã. Estimado em aproximadamente seis horas, o passeio inclui o traslado do centro de Ushuaia até a Estância Harberton (que fica a aproximadamente 80 km de distância), e o deslocamento de barco da Estância até a Isla Martillo (ou ilha dos pinguins), num trajeto de mais ou menos 15 minutos. Já com um pequeno grupo reunido, recebemos o voucher mais estranho e precário de nossas vidas, e alguns minutos depois nosso guia chegou. O tour estava começando.

Se por algum momento você achou precário o ingresso do barquinho no post anterior...

Se por algum momento você achou precário o ingresso do barquinho no post anterior…

Com instruções em inglês e espanhol, o rapaz se desdobrava. Longe de parecer um esforço, as informações gerais foram passadas tanto na van como no barco: a chegada à ilha seria feita de forma tranquila e ordenada; o grupo deveria seguir a trilha delimitada no chão, caminhando de forma tranquila, lenta e compacta; os pinguins se aproximariam, e toda e qualquer iniciativa de contato deveria ser deles, e nunca nossa; em hipótese alguma tentar acariciar os bichinhos, que naturalmente revidariam, e não havia nenhum hospital ou posto médico próximos à ilha; nada de alimentar os pinguins, entre outros procedimentos que todos sabemos existir quando do contato com a vida selvagem do planeta.

Durante o trajeto de van, uma rápida parada na estrada para fotografar as árvores que crescem sob o vento mais que forte da Terra do Fogo. Um lugar belíssimo, que merecia de fato uns minutinhos de registro.

Pense num lugar bonito...

Pense num lugar bonito…

...e gelado!

…e gelado!

O vale é essa coisa linda e verde.

O vale é essa coisa linda e verde.

Mas as árvores que nascem "de cara pro vento" crescem desse jeito. Não é exagero dizer que o vento patagônico é capaz de derrubar (ou nesse caso, entortar).

Mas as árvores que nascem “de cara pro vento” crescem desse jeito. Não é exagero dizer que o vento patagônico é capaz de derrubar (ou nesse caso, entortar).

Assim que chegamos à Estância Harberton, o barco já estava atracado. Uma parada rápida praquele xixi amigo (sim, outra instrução: a ilha não tem banheiro, então trate de se aliviar ou antes ou depois) e embarcamos.

Tudo bonito demais a caminho da ilha dos pinguins.

Tudo bonito demais a caminho da ilha dos pinguins.

Alguns minutos de passeio, e pouco depois chegávamos à Isla Martillo. Desembarcando um a um, o cenário que surgia era coisa inexplicável de tão… fofinha.

Sabemos que uma imagem vale mais do que mil palavras, e as nossas são deliciosas. Deixaremos a descrição do passeio a cargo delas, e vamos enumerar algumas coisas que possivelmente vocês não vão encontrar em outro texto sobre a ilha:

  • Primeira coisa: o cheiro de peixe. Se você é daquelas pessoas que passa mal com a barraca de peixe da feira, o passeio pode não funcionar pra você. A gente tem aquela imagem idealizada de fofura dos pinguins e esquece que os bichinhos são selvagens e fedidinhos;
  • Se você assistiu “Os Pássaros“, pode rolar um certo pânico também;
  • O terreno é bastante lamacento – o que é ótimo pra eles. Por isso mesmo, a escolha de roupas mais acertada consiste em uma bota confortável e bacana, calças jeans (ou de qualquer tecido grosso, veja o vídeo mais abaixo pra entender o porquê) e um casaco corta-vento. Além do cuidado com os pinguins, vale um cuidado com a própria ilha – que escorrega bastante. Cair nunca é legal. Cair em cima de um pinguim, menos ainda;
  • Apesar da quantidade abissal de pinguins, eles não se aproximam tão descaradamente como pode parecer (a lente da Dé era maior do que o normal). Então, muita calma e paciência pra fotografar e filmar os danados.  Mesmo assim, dá pra ver de perto e a experiência continua sensacional;
  • Leve bateria e cartão de memória sobressalentes. É tanto pinguim que você vai querer fotografar um por um;
  • As diferentes espécies de pinguins convivem numa boa;
  • Os pinguins peludinhos são os filhotes. Com o tempo, essa pelugem marrom vai caindo, e eles vão ficando com aquela cara que a gente conhece.
Quando chegamos, fomos recebidos...

Quando chegamos, fomos recebidos…

...de braços abertos.

…de braços abertos.

Que praia sensacional e lotada, essa.

Que praia sensacional e lotada, essa.

Uma daquelas fotos com sorriso mais que sincero, que você vai guardar pro resto da vida.

Uma daquelas fotos com sorriso mais que sincero, que você vai guardar pro resto da vida.

"E aí pinguim, rola uma selfie?"

“E aí pinguim, rola uma selfie?”

O passeio é sossegadíssimo. Pessoas de todas as idades podem fazê-lo tranquilamente, e a diversão é mais que garantida. É impossível não se encantar com a doçura dos bichinhos, e passar a identificar um ou outro (o mais saidinho, o cantor, a mãezona, o sem-vergonha, o tímido, as crianças, etc.). O mais legal: não tem nada de artificial na ilha. É habitat deles, e a gente que está no papel de visita. Nada de cercas, divisórias ou adestramentos, e é maravilhoso.

No meio do caminho, um casal de pinguins imperadores, que estava de passagem pela ilha.

No meio do caminho, um casal de pinguins imperadores, que estava de passagem pela ilha.

Claro que nem tudo é pinguim...

Claro que nem tudo é pinguim…

...mas a maioria é.

…mas a maioria é.

Um deles resolveu se amigar com esse cara.

Um deles resolveu se amigar com esse cara.

E até posou pra foto, enquanto a gente filmava.

E até posou pra foto, enquanto a gente filmava.

Pinguins enquanto crianças, e seus casaquinhos...

Pinguins enquanto crianças, e seus casaquinhos…

...que, com o tempo, vão dando lugar ao "pinguim com cara de pinguim".

…que, com o tempo, vão dando lugar ao “pinguim com cara de pinguim”.

E antes de ir embora, que tal uma cantoria?

E antes de ir embora, que tal uma cantoria?

Que passeio di-ver-ti-do!

Que passeio di-ver-ti-do!

Pouco antes de ir embora, uma última visita. O Museu Acatushún pertence à Estância Harberton, e nele temos mais uma aula rápida sobre a vida marinha da região.

Afinal de contas, um pouquinho a mais de conhecimento não faz mal a ninguém.

Afinal de contas, um pouquinho a mais de conhecimento não faz mal a ninguém.

Serve como fechamento perfeito pra uma manhã tão diferente, e a gente sai de lá se sentindo mais rico, feliz e de coração quente – apesar do vento patagônico, que é sempre gelado. Mais do que recomendado, é um passeio obrigatório pra quem chega ao fim do mundo 🙂

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